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TRANSPLANTES

SUS dispõe único banco com três tipos de tecidos do Brasil

Escrito por André | | Publicado: Quarta, 30 de Setembro de 2020, 19h21 | Última atualização em Quarta, 30 de Setembro de 2020, 19h21

O INTO (RJ) tem banco de tecidos para o atendimento de pacientes com problemas ortopédicos, odontológicos, oftalmológicos, vítimas de queimaduras, entre outros

O Ministério da Saúde, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), mantém no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), o único banco do país a trabalhar com três tipos de tecidos para transplantes - muscoloesqueletico, ocular e pele. Este banco multitecidos é responsável pela captação, processamento e distribuição de ossos, tendões, meniscos e cartilagens (tecido musculoesquelético); córneas e escleras (tecido ocular) e pele (tecido cutâneo) para todo o país, atendendo desta forma a pacientes com problemas ortopédicos, odontológicos, oftalmológicos, vítimas de queimaduras, entre outros.

Nos últimos dez anos, o INTO evoluiu no processo de captação, processamento, pesquisa e logística de distribuição para toda a rede hospitalar credenciada ao Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Durante o período, foram encaminhados aproximadamente 300 Kg de tecido musculoesquelético para atendimento a mais de 3.400 pacientes em 15 estados e no Distrito Federal. O INTO é atualmente o principal hospital público a realizar cirurgias ortopédicas com transplantes de tecidos musculoesqueleticos no país.

As atividades com tecido ocular tiveram início em 2013. Desde então, o banco disponibilizou mais de 1.100 tecidos para transplantes de córnea e esclera (parte branca do olho). No que diz respeito a pele, serviço inaugurado em 2017, já foram disponibilizados mais de 150 enxertos de pele humana para transplante, totalizando 20 mil cm² de tecido cutâneo alógeno.

“Fazemos transplantes dentro do instituto e também cedemos essas peças para qualquer unidade hospitalar no Brasil que seja habilitada a realizar transplantes de tecidos”, explicou o diretor substituto do instituto, Phelippe Valente, que reforçou a importância do ato de doar e, principalmente, conscientizar as famílias. “A pessoa pode manifestar em vida o desejo de doar, mas após confirmado o óbito somente a família pode autorizar. É importantíssimo o papel dos familiares, esse ato pode salvar vidas ou ser o tratamento para diversos problemas de saúde”, reforçou.

Ao contrário dos órgãos, no transplante de tecidos os pacientes não precisam usar imunossupressores. Isto se deve à preparação do tecido para o transplante, na qual envolve seu processamento e tipo de armazenamento, acarretando diminuição no nível de rejeição - o que torna todo o processo mais eficaz, eficiente e seguro para os pacientes.

Para Priscila Silva de Oliveira, mãe de uma paciente de 11, que tem câncer nos ossos, o INTO foi a salvação da filha, que está em tratamento desde outubro de 2019. Segundo os médicos, para evitar a evolução da doença, a indicação seria a amputação do tornozelo da menina. “Depois de tentarmos várias alternativas, encontramos os médicos do INTO que nos atenderam muito bem e nos deram como alternativa o enxerto ósseo. O transplante ocorreu dia 20 de março deste ano e só tenho que agradecer. Minha filha não teve rejeição, já está andando e superbem. A cirurgia foi perfeita, não ficou nem a marca”, comemora.

O fornecimento dos tecidos pelo INTO segue demanda proveniente da solicitação de médicos autorizados pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT). No caso do tecido musculoesquelético e pele, a distribuição ocorre após recebimento de guia específica de solicitação de tecidos, disponível no site do INTO (https://www.into.saude.gov.br/banco-de-tecidos).

Em se tratando de solicitação de tecido para utilização em outras instituições, é realizada a avaliação logística e acondicionamento adequado para que o tecido chegue ao local de destino mantendo a sua viabilidade para o procedimento.

No caso de tecido ocular, segue regulação do Programa Estadual de Transplantes do Rio de Janeiro, responsável pela gestão da fila para transplante de córnea no estado.

PROCESSAMENTO E ARMAZENAMENTO

Todo tecido captado, ao contrário dos órgãos, antes de ser transplantado deve ser processado e preparado para o procedimento. O processamento do tecido ocorre em área específica, com controle do número de partículas do ambiente e fluxo unidirecional do ar, para diminuir a chance de contaminação do material. Durante o processamento são coletadas amostras para análise microbiológica (tecido musculoesquelético e pele), além de amostras histopatológicas (tecido musculoesquelético). O tecido ósseo também é radiografado para rastreio de anormalidades. Um único doador pode beneficiar diversos receptores, dependendo da quantidade de tecidos gerados durante o processamento de segurança.

Após o processamento, o tecido é mantido em quarentena enquanto aguarda os resultados de exame. Cabe ao responsável técnico de cada tecido fazer a análise final e liberá-lo para o transplante.

QUEM PODE DOAR?

- Tecidos musculoesquelético e pele:

Pessoas com idade entre 10 e 70 anos, que não tenham sido vítimas de câncer ósseo, osteoporose ou doenças infecciosas transmitidas pelo sangue – como hepatite, HTLV (vírus linfotrópico da célula humana), AIDS, entre outras. Também não é permitido doar quem, há menos de um ano, possui tatuagem não realizada em estúdio ou fez uso prolongado de corticoides. Para tecidos cartilaginosos, a faixa de doação se apresenta de 15 a 45 anos e para tecido cutâneo (pele), de 15 a 70 anos.

- Tecido ocular:

Pessoas com idade entre 2 e 80 anos, que não tenham sido vítimas de câncer ocular ou doenças infecciosas transmitidas pelo sangue - como hepatite, HTLV e AIDS.

É muito importante que os futuros doadores expressem, em vida, sua vontade de doar tecidos, já que, após a confirmação do falecimento, a autorização é dada somente por familiares diretos.

QUEM PODE RECEBER?

Pessoas com perdas ósseas decorrentes de tumores, trocas de próteses e sequelas de traumatismo, além de pacientes portadores de deformidades congênitas e de coluna, problemas odontológicos, podem receber tecidos ósseos.

No caso do tecido tendinoso, pacientes que apresentem lesões ligamentares de articulações, como joelho e cotovelo, onde haja a necessidade de correção cirúrgica da instabilidade articular. Também pode ser utilizada em cirurgias de lesão crônica de tendões.

Para tecido cartilagem, pacientes que apresentem perdas extensas da cartilagem articular, principalmente relacionadas ao joelho. Já o transplante de menisco é indicado para pessoas com dano da cartilagem articular precoce.

Já a pele é utilizada principalmente para curativo de pacientes queimados, uma vez que é considerado o melhor tecido para esses casos, enquanto a córnea e escleras são usadas nos tratamentos de doenças oftalmológicas como: ceratopatia bolhosa, ceratocone, ceratite, queimaduras químicas da córnea, entre outras.

Por, Gustavo Frasão/Nucom SAES
Agência Saúde

61 3315.3580 / 2745

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